SERM AM/ D 0 ■ SABBADO sexto d A Q-U ARESM A E t* R E G O u NO CONVENTO DE NOSSA SENHORA da Graça ctn as Completas q Ue nellc folemne- rnente fe fizeraõ, Pelío P- M. Christovam d’Almeida CaliScaclor do S. Orneio, Si Lente de prima deTheo- logia no Gollegio.de S. Agoftinho defta Cidade de Lisbot, & Bifpode Mattyria. EM COIMBRA. Com todas as licenças ?»ecc (farias. NaOffielna de MANOEL R0DR1GVES D’ALMEYDA M. DC.LXXXI. A ciljht de Uü AntunCs Mercador ic livros. Í 1 M._ 'K áf r? -XI ..1 o o oTXíf a.. A M. í 4 y /. j.jy -’ A - ,j "jVr^rii V 3-ÚJi.' ' -3fttó3Ídi âibfi si;p’tái!çjáiííO i S:.ij ui V' \ ^ , AOTlMiATI ?SVD1 ^ÍO.ví JaOííA* . JX': t oa .M ! ’ ÍMt r "... ,^ V T H E m A, Cogitayermt atuem Príncipes Sacerdof um , Ut »«*deNaitB,movido.das me. 7 . bgrimas da may> & VtveO Ipqpqr íffp (e intentaffc darihe a ovorté.TefuícitouorocfmoSenhor aLazaromottodcquatcp dias, & como íe o tornar a viver so em Lazaro fora delito íe ajütou logoacotte de Ierufalé,& tratoudelhetiraravida.Co- vitavermt.Mtê P.rimp£S : SAcerdotÜ, ut & Lazarã interfice- *•*».*. x; rent. Betri digo cu logo, que também nos favores,, que %s o Ceo ha dita, & ba deígraça. Viyeo o filho da k viuva de Naim refuícitado por Chrtfto, mas naõ fuceedeo aífi na reíurreiçaõ de Lazaro, porque o mefmo foi receber dc Chriftq a vida, q fazerem íe logo CQnfclhos, para. te lhe dar a mott^ E fe entaóíe lhe pcegunma 80$ prinsip.çs dc Iqruíakm ay* tores defte confelhojaõ injgfto, que crimes cometera Laza¬ ro pera morrer, porq culpas tratavaõ de o roarat r 1 Rei ponde- riaõq não morria Lazaro por culpas, que morna p<¥ çonve» nieudas, que erarazaõ de eftarfo,que Lazaro -roorrefife-per- que muitos dos; ludeçs Vendoo rçíufcitado deixaSaõ a Moy- le deuppr ellesarepoftaSJOaQ, J&m nmltipyterilU Mtnt e* l u d*is,& credeba* in leTum. He mui ordinário, 5c mui antigo cofiume efte nas CQites doí mundo, fazetefe fem rçzoes, por amor de hSa razaõdÊefta- do: por numa rezáxx ou perafalarroafc prpprian êtcypcrbõa fero razão de euadodeu David a morte a Vrias * por outra A ij fem 4 da ^uíiYefma. (Vm-rezão de eílado tirou Herodcs a vida aoBaptifta, & foy JReg.z.cap hüa, & outra acção tam tiranica como iniuíla. Morre© Vrias ii. na guma, porque íe nam deícobrifle hü p< ceado de David. TonitcVriam ubifortifsimftm ejlprAiTi. Acabou o Bptifta no . carcere;porq8e*ie ríaõ quebradtaífe hü jnrameto de Herodcs: iHC.cap. 6 Et centrijlíttíts ejl Rcx propter juijurandum : Hüa, 5c outra morte íe deu por duas rezoens dc eftado,. mas em cada huma fc fvzb uma fem rezam. Senaõdígao me amí. que fem rezão mayorpode aver no mundo, quecaftigàrooffenfor ao ofFendidoí que tirania mais injufta, que morrer Veias porhü decreto de David, por íe não defeobrir o peccado, q David tam' arrojadamente commete- ra> & que maior injuftiça, que degolarfe o Baptlíh por hü de¬ creto de Herodes, por nam violar Herodcs o juramento, que incüníideradamente fizefca?Mà$ cómo he rezaõ de < íhdo,que nam íe deícubraó as culpas, nem fe quvbrcm os juramentos dos Reys, ba eflade coníervarfe, ainda q pera faze lo fecom- meraõ injuftiças,& íefazemícm rezoês 5 pot ifíb vemos tantas vezes no mundo càftigada a innocêci»,& diíimuladoodclira Com eftes exemplos, ou com eftas íem-rezoeris íe infamarão as monarchias do mudo em todos os íccoIosros paííados, & nos prezentes, bem poderei também affegurar com toda a certeza, q afifr fcrá nos futuros, porque alem dc o mudo íer & pre o rnefrfjo, difíkultoíamente íe cura huni mal tan^ ve,h ”* quanto mais qtíc mal podeellc ! bufcar remedio»pera áquilio cm que fc perfuade que eíláa (Uacaníervaçafr. E affi como he tam antiga rezaõ de t ftaoo do tr.üdo,cÕfcr» Varcõ fem rezoesas fnas rezo£s de eftado q muito qmorreí- feVriasfem culpai Quemuitoqíè dcgollaííe o Baptiftaíem juftiça, fe com a morte de Vrias íe encobria hü peceado de David, Si com a vida doBaprifta fe quebrantava hü juramen¬ to de Herodcs, quandoera rezam de eíHdo que nem de hum (porq erâo Rcys) fc íoubcíTc a culpa, nem dc outro íe que- bfatítaflTc o juramento. Eíupofto cite achaque tam ordinᬠrio, fuppoílo eíte coftume taõ antigo das edátes do mundo» nam Sem&o do Sahhaâo fexto 5 nam o° s p° dcanos ja cau* a reíp3nto,oslntert05 dos ludcos ne ft e conftlho. Cogitáveruttt'autem Ppincipts Sacerdotum , u t & Ld&aruminterficerent. Verdade he que Lazaro nam tinha commetidoculpa,pclla qu a l merecefife a morte,m2S co¬ mo os grandes da Corte de Ierufalem entediaõ que era rezao de eftadoo confetvarfeludea rra Ley, emquetc entaó tinha Vivido, &na6 conhecer a Chnfto pello MeíTias efperado, & efta' ão vendo que nam poderião confeguit os cffeitos defta coofeivação fc nam tirafíem a Lazaro dos olhos do mundo, porque muitos dos lodeos que o viraõ morto,&o viaõ defpots refufcitado por Chrifto taõ prodigiczamente . comofcyref- tituilo a vida depois de quatro diasdefcpultura, como mui¬ tos dos Iudeos(digo)^ccnvencidos comtfle milagre ccnfeí- íTavsô publicamente q Chriftocra o M< (Tias prometido nas Scripturas, & como a tal o fe guião. J$uia nulti prepter tllum abibxnt fx IftdtiSy &crcdebant in Iefum. Pera evitar efte da¬ nosa fua opiniaó) fazem hoicefteconíelho, & intcntãodat logo a morte a Lszaro. Eftahe scaczatctai,(fteofundamê- to todo qos gtádes deleruíalcm tiveráo pera fazer eftecon- h\c,& alij. felho íobre Lazaro: outro motivo apomão os çxpcíitores fun¬ dados neíh rezaõ do Evangeliíh; Efte com as circunftancias do coníelho deixo pera odifeurío doSermsõ: pera o que te¬ nho rieccííidade dc graça peçamola a V.S. N ; offerecçndolhc a Qraçam Angélica Ave Maria., 5 i. Hontem fe fel hu confelho íobre Chrilio injuíto í oann.cap , no intento, &na rcfcluçaõtyranico: hoje fefas outro confc- lho íobre Lazaro o qual nam fcy injuíto na reíoluçam fc foy tyranlco no intento: nam foi fe parecera çtovo efte modo de dizer,mas fe amime nam engana a.imaginacaro, cuido êjhe muvfundado no Evangelho. Dice que fora o coníelho cj íc- bre Lázaro fe fez tirânico no intento, porque nimgug pode¬ rá negar, que era grande tyrania querer.dar a Lázjro a morre so por ter ítcto dhozo: dice também, que nana fora iniuflo na reíoluçam, porque quanto ao que fe pode eplkgir doEvanze- lho,natn íe teíolvèo.nem íe affentouhoje q Lazaro morrtíTc. f ' A li) Etoda lOAWI. Mp. II. 6 ^ da, JUmrejm*. Etoda arezaóemque me hiudoheeíla que direi logo, porq do Evangelho não coufta mais q proporê os grandes de Ieruía- lcii) emeoníelnoo darem a.Lagaro a morte : Cogittverunt miem prmápcs Sacerdotum t nt& Lz&nrum mterficerent^zs não couita nem que buícaísé a Lazaro pera o prender (como fizerão a Ghciíto) nem que o cheg afifem a matar. Evidente- mente parece que íe infere logo q foy a refoluçaõ vn uy diffe- rente do intento, E confirmo ainda mais e(b razão, com o q iuceedco a Chrifto, porquc poc iffo deraó os ludeos a morte a Chfifto,porque fcreíolveonocõíelhoq íobre elle ajuntarão, que era coa venere que morreífe Chrido: Abillo ergo dieco - gitaverunt ut interficerent eum . Logo por ififo naõ derão a aiorte aLazaro, porqueíe natn aflíentou noeonfelho que ío¬ bre elie fizeram, que era judo que mqi?reffe Lazaro: parece logo verdadeiro modo de dizer ainda que fe julgue por novo, que não foy o coníeiho de Lazaro mjuftq nareíoluçaó, fe foy tyranicono intento, não foy injufto na reíoluçao, porque fe nãoreíolveohúainjuftiça, & foytyranico no intento pôcque tc intentou hüa íem rezam, ' j o* § 2 . Supofto pois que no eonfelho qfe fez hõtem fe refolveo quemorrefifeChrifto, 5c no coníeiho q fe fez hoje íenioaí' fentou que morreflfe Lazaro, ja íe deixa ver a rezão de duvi¬ dar. Se os grandes de Ieruíalem iutentaraô matar a Chrifto, 5c intentaraó matar a Lazaro, íe péra hüa, & Qufr»mcntau depois contar o que refclveráo,íenão difle que fe ajuotarão em coníelho contra Chrifto: de íorte q jalc cftava vedo dantes, o que fervia de reíolver depois: de- pois aviafe de teíòlver que nonefle Chriflo,& ifto fe via ja an- tes, que íe refclveflf: Adr erfus Iefum. E nos confelhos adott* de fe ve arefoluçam antes que le veja a propefta, oua juftiça eftà muyevidente,ou as vontades dos que vetam cft*m muy apaixonadast nam era, nem pedia ter cVidente a juftiw que os grandes de Ieruíalcmtmhao, pera tratwê de matar a Cbri- fto* porque dat a vida a mortos, reftitnir a cego*, & cu¬ rar enfermos, íe f e Y * f4 Co® os olhos da ra«3o não podia íet crim^antes vituid(K be" 1 íc infere logoqoe p*etíe arefolu. çáodas ludcos^qgo qüandoíefaziaqconíelào; ColUgemnt Mnúlium adverfití q íe nãonacia deeflar a,mfti^a denté da parte dos liidv o^ quenatiadri ftart m as vontades . empenhadas na morte de Ghrrfto: E fe ifto afti he,íeneftc COn- felho votaram vont adequemuito qu^arefolução foíTelfra- nica, & feitio ccrifelhodíC;Lazaro wotaraôemedimmos. ginipewit (tutem. Que muito ^náofaííeinjuftaare(oluc 2 m Os coníeliiosadonde veta a tasãafempre forão mi yaecrta- dos, mas aqnellej adonde vota a vontade ferupreioram muy iniu ftosí-dcj ríEão.eftàmny cvidtníe, potqtomo queí que í rpafelbite feor deoão prmcipalnvcate taas mon ar chias, pera ftigar delitos. & prera premiar merecimento?,comonode.íi ver a vontade a quem hc juftoqae te deo pruric, nê aqueo he bem q (ç deoeafltgo, < e a f íZ íen) olhos anatura5s; Qu arlt0 mat?,q^dadoq.u€fcp°defa_vôtarkmvcr ( fqfora hüaqran- de injuftiçajmdaavontade ficava incapaz pera votar,o poiq cu o direi, porque em a nofla vontade ha dous a£tos, hum de amoi $ dx JjhurcfMâ, amor,outto deodio (falo de quando vota a vontade fem q fe iogeice a rczão„ } Sc nem o odio aem o amor farão nunca bons pecacoafelaeiros.* vamos primeiro ao amor entaõ logo vire¬ mos ao odio. § 3 Todos oi expoíitores convem cm que aquellas pala¬ vras q difíeo Padre Eterno,quídoqais fazer à Adam Focíã* mm ho minem ad i mxgmem^ & ftmilitudinem mftr&m. Foram hõa coiiíultaqfiz;ca,òc Kã vo:o (digamolo aíB, & hü votoq pedia:nifto co icordão todos, mas tambê dtíconcordam nifto, em quê fodc a peffoa a quem o Ercrno Padre coaíultara: Du ceramos H.abbmos, que coníultaca aos Anjos, mas impug- naicefufua opiniàu mui facilmente, porqa Sabedoria fupe- íior,qualcraa deD.osnam avia de confultaraSabcdctiaitB íeriorqualecaa dos Anjos: puis aqué cõíulcoa logo Deos pe¬ ra fazerohomê* Diceo venturozamentc S. loaõ Ghriíoftomo fiigo vèturozamente porque he a opinião mais íeguida‘,1 eftigitur kicid cpie in^uit facitmus hominem ad imxginem,& jimilttudivem mjfrAm, nifiUle mtgni coactlij Angelus,úlle ad* mtrâbilis eonfilixm umgemm.flm Dei. Quem heTíb r (di? Gariloftomo^ a quem coníultou o Eterno Padre na creaçatn do homem, iênaó aqucilc Anjo do grande coafelho íeu Filhò Uaigmito? Eíhibi Jçiõ he entre os expofitores 3 maUfcgui-' da,mas naòdeixa de parecer difficultoza', fenão vcj&ó_fej| a geando fundamento, pera padecer muita difHculdade culto aTii O Spirito S. nam he igual mete fabio coca o veroo. Nana faõ em todas as tres Dwinas Peffoas os attributos os meí- mos* Afli no lo enfma aTheologia, & aíTi no lo obriga acrec a Fc: Pois fe ifto aífi heje a terceira peffoa he tam fabia como a fegunda, com q ue fundamento diccS. loaõChrifoftomofj confultarao Padre Etecno pseafazee a Adam mais aò Filho, que ao Spirito S. > Ou pcUo menos fe ambos tem a mefttia Sabedoria, porque nam dice que os coafultara ambos* Que¬ rem vero fundamento que teveo & pera dizer queconíultou oPadre Eterno mais ao filho, que ao Spirito S. ? pois he efte» porque a formalidade do Filho fefer Sabedoria, & a formaU- Sem ao do Sabhaào fexto 9 dadedoSpiritoS.hc feramor, que alíi lhcchamaoos Theo- lugos: Sabedoria ao Filho, porque procede do entendimento: ^ ^ ã tnor ao Spirito S. porque procede da vontade , & como ifto ( ^ ^ ' a ísi he,como aquella matéria era de coníelho, & os coníelhos mncs , de Deos iaõ íem pre bem ordenados, claro efta que nefte com íelho. Factamus horninem* que não avia de votar o amor,que íó avia de votar a rezam,porque o amor nam hc bom pera dar votos nos conklhp^: VeifiUus ex proprio câracihere Ver p Cf ^ bum , c ’? rAtí0 s í trttuS banc * us vero non efl ratio fed ímor y fo \j Cn ^ adfp(tfuirgo ad humanar» condttioncm non dicit amoremfuif ét.eatrtarc fe ad çonfuttationem adjcitum Dei Verbum, ^rationem y dice beneUUt. i. agudacüer.te hü expoíiror grave. Aámo % § 4. NaõconíultaDeos em acreaçaõdohomêafeuamor * Kr « *• fendo a(si,quefe alguém poderá coníultac leu amor, era sò* 0 ’ n '*' Deos, porque como efte cm fiíeja perfeitiísi m o,nam pode deixar de querer o que for jufto, mas como o votar he hmn ado de entender, pedir votos á vontade he fazer hmnainjuí- tiçaà rezam, & huma violência â natureza, & Deos nam cof- tuma fazer violências, nem íabe fazer iojutticas. Viraõ|a co¬ mo o amor, que he hum dos a&os da vontade^ nam he bom pera conleihciro,pois m enos o odio. E a rezam eftá muy cla¬ ra, porque íe poriífo não hc juftoovotoda affeiçam, porque dará o prêmio a quê muitas vezes merece o Caftigo , poriífo lerá também injuftoovotodo odio, porque dará o cafíieo aquem merecer o prêmio, & eomefta particularidade ainda que mais eííicaz he o odio pera fazer mal, q o amor pera fa¬ zer bem, mais faciin ête íe inclina a vontade a fazer mal a quê aborrece,doqae afazer béa quê ama. Do Inferno donde c f- rava o ricoi avarento atiomctatío vio Lazatocm o Ccyo de Abcah^m fovprtcido.a Lazaro, aqutlle a quêtamoaborrcec ra no mundo & tato qo vio pedio logo elficaímcnte a Abra- ham q o mandaffe ao infcrao.alivialo daquelle. inccndio cm q (e abrazava: Patcr Ara m m,U Lazarum, ut tnttnm < X . tremum égatfui tn ut refrigera íir.gtum mel, q„U m cM . tractor tnhtc fianitna. Repara muito $, PedtoChrifolcgo,y~ 0 /^ JW , B cm uy io Jtà guarefna. cm q o avarento nam pedifíe a Abraham,que o levaííc a don¬ de eftava Lazaro nam que tnandafife a Lazaro que deCcífe a donde cllet fta.va: nonfe adLaz,arum (dis ChrtíoíogoJ dud pofltiltâyfed ad fe Laz>%rum vuUdeduci, Sendo aflfi, que alem de íer taõ dirhcultoío o deccr hü txmaventurado ao lugar do tormento,como íubirhü condenado ao lugar do deícaoço, melhor era pera o Avarento íubir donde eftava Lazaro , que od^cerLaZaroad )nde-tliecftavat Pois f^ifto affihc, íeo Avarento via que era igual a difficuldade, & mayor a conve¬ niência de díefubir,quede Lazaro decer, porque nam pede a Abraham, queoleveaoParaizo, íenaó que mande a La- zaro ao inferno? mitte tAzurum. A íoluçaõ, que a eftadiffi- cuídade d; uo grande Areebilpo de Ravena,he que fez o ava- iento nefta forma a petiçam, porque como aborrecia muito a Lazaro, mais o atromenta va o ver a Lazaro em glorias, que o verfe affi em penas, menos fentia os incêndios em que fe via abrafar, do que as felicidades qm? via a Lazaro pofluir: Ideo, CbnjologQ q Uoc f A ^ t ^ €S 1wn e jj. noyellidoloris, fed livoris antiqui, & juprA a- ze j 0 intfnditur quAmgehenno.tbz he a íoluçaõ deChri- íologo, mas com licença de taó grande Padre, venerando efta rezaõpor fua, darei eu agora a minha com algúa novidade,íc me nam engana a imaginaçaõ. Pedio o avarento a Abraham mais, que mandaíTe Lazaro ao inferno aonde elle padecia, do qolevafíe aclle ao Paraizoa donde Lazaro iftava, porq co * mo quer que em tirar a Lazaro do Ceo, fazia oavarento mal 8 Lazaro, & em fe fair do inferno íe fazia bem affi, efeolheo antes o avarento fazer mal a Lazaro a quem aborrecia , do q fazeifebem affi proprio, a quem amava, & por nam vera Lazaro ditoza entre glorias, deixafe viver atormentado entr e penas. De crer heque menor fafle oodio, que/5 avarento ti # nhaa LsZaro, do que crao aaaprcom que íe amava affi, com tudo podémaiscom Hle oodiode Lazrro peta tratar de feo mal^doquè póde o amor próprio pera tratar dc feu bem: Tal heainclinaçam da vontade humana* masque injufta, dc qt* cfcaodaloía! Eiup' Scrmao do Sabbddo fexto $ 5 . E íuppoftaefta in)uft a jnclinaçaó da noCfa vótade,ago¬ ra acuo cu a íoluçam a hüas palavras de S. loão, q fctaõtodo o arrezoado do coniclho,que fe feshontcm: Jtyid f&çimus loinnc.u quU hic homo rnulufignA fdcii> Diceraó era ajunta quefi- zeraõ íobre Chrifto, o*-Pontífices, & pharileosde leruíakm, que fazemos que náp matamos eft e hcmemf E porq ief Potq fas muitos finais: boa rezam , querem dar a morte a Chrifto* porque tazfinaes, aífinalaivos vòs entre os outros, qlogotra* taraõ de vos tirar do mundo; mas vamos à difficuldade. Que fioais ieraóeftes, porque querem dar a morte a Chrifto? Eu o direi: dà vida a mortos, íaude a enfermos, vift a a Ccaos & fi. nalmente heo remedio univeríal, óc o Medico íoberano de toda Iudea. Pois gente ingrata, condiçam> jufta, porõ Chri (lo vos rcmedea, porque Chrifto vos cura, o quereis matar» Antes parece, que porque elle fazia eftv s finais, havíeis vòs dê fazer co.ilelhos pera o modo com qlhe poderieis confcrv at a vida. Masfacileflà a repofta: abotreciaó osIudcos muito a Chrifto, & coroo o abomeiaõ muito, pode mais com elles o odio que lhe tinhão para tratar de (eu mal, do que pode o amor proprio pera tratar de feu bem. He verdade fdizião cl- les)qne efte homem nos remedeá, mas cõ tudo ha de morrer; antes nos não queremos remedio, que velo* a elle çó vida. E fe a vontade íe inclina mai' facilmente a fazer mal a quem abor« rece, que a fazer bem aquem ama, como vimos nos Iudcos pera com Chrifto, & no avarento pera com Lazaro, & náo he bom o amor peraconlelhciro, claro fica que menr.s n (rrà r. doro, que fe iulnavaconfotme aos merecimentos de cada hd, £? porque em feus confelhos não votavão nê o odio, nem a affeU 77 . B ij çaÕ; ti da gú&refmà. çaõ: ElecHo uojlra demeritis vemt[, non enlmquidquain*»t amort, aut odio r aut pelleCH aliqua gratificatione decerntmus . De forte, que davaõ a cada hum o que merecia,porque nem o odionem a affdçaõ julgava. Bem íe infere iogo, q nam po¬ dem fer juftas as refóluçoens adonde a vontade entra a votar apaixonada ou amando, ou aborrecendo. Mas que grande felicidade he dehu Reyno,que grande ventura dehüa Mo- narchia terem feus confelhos quero vote conforme aquillo que a rezam lhe dita, &nam conforme aquilio que a vontade lhe pede! Que juftas que íeraõ as refoluçoens, as ordens que acertadas, St o Reyno como íe confervarà ííguro! Em os confelhos íerem bem ordenados, eftà cifrado todo o bem, Sc toda a conlervaçam de hum Reyno, porque como os coníe- Ihos fam os polos íobre que íe fundaõ as Monarchias, & a re¬ zam hea bafi, (obre que aflfcmáo os confelhi s, tanto que fe deíconcertar a armonia, tanto que íe perverter a ordem da na¬ tureza , tanto que o entendimento íe íogeitar ão que quer a vontade, & nam a vont3de ao que decreta o entendimen¬ to, logo os confelhos nam podem fer bem ordenados, nem as Monarchias eftac feguras, Senaõ digâomc a mim, qual foi j acaufa porque íe acabou tam deprcfíaolmpcrio de Nabu« co, aquelle RcynoVam dilatado no poder, & na arrogancia, quefe prometia dominar o mundo facilmente? ntnhúa outra coufa mais que votos da vontade, aífi o diz aScríptura: DAnicL £>uos volcb£t)Wterficiebat y cjuos volebat, percutiebat , ques yo- leb&t ex*ltabat % quos yolebAEhumiliabat. E hü Reyno adonde votava a võtade, hüa Monarchia adonde governava o querer, eralmpofTivclq lle f e podeílc coníervar: ò quantos padece- rião Innocentes! 6 quantos fe premiarião culpados! mal po¬ dia logo eftar feguta a confervaçam de hü Império, adonde era tam tyranico o governo. Tam importantes como illoíaõ nos confelhos OS votos do entendimento, Sc tam per judicia es os da võtade,que naque lies tem a> Monarchias a fua confer- vaçam, 3c neftes a fua ruina. Se Chrifto tomara aquelleconfc- Mttb.ij. lho, que hüa hora lhe deu S. Pedroaffeiçoado, quando fevio entre r* SemAe do Sâbbado fexto entre a$ glorias 4o Thabot favor t cido; Domine bcttum eji nos bic ejf e 5 votonaòdoda vontade, . & nam do entendimento: fiejciens qmddiceret, que fe feguia d’ahi? que? naô menos q ficar o müdo íem redepçara,ôç Chtifto sê Rcynomão importa menos que hum Reyno,onam íegnir.hum voto apaixonado. S 6. AdvirtaólogoosPrincipeí.atosMonatchjjdonjü- do, qne (c quizerero ver feguras íuas Monarchias , que nana admitaõ em (cus coníelhos aquelles, cujas rcfoluçoens po¬ dem naieer da vontade, &nao do entendimento- masquem feraõ eftes, ( agora direi os que namhe j u ft 0 quc fe a dmiram, & depois os que he acertado que íeefeolhaõ;) quem famef- tes que os Prineipesnam hao de admittit em fcus coníelhos» Eu o diret em duas palavras: nem os muito validos, nem os pouco fieis, porque huns & outros haõ de votar com a von- tade.os validos com a affeiçam, & os traydorescom oodio. Là fe aconfdhou hu hora Chrifto fobrc o modo com q havia de fuftentar aquella turba , que o feguia nodeferto, & nam 1o *m-9* feaconíelhou porque neeeflfitaffe deconfelho, qucelle íabia mui bem o quc havia de fazer. lpfe enim fciebat quid efíetfa* Cf urus , fenam pcraecfinar aos Príncipes do mundo com íeu exemplo; & a quem Chriílo pedio oconíelho, foi aS Phelippe: Dixit ad Philippum 5 undeememus panes ut manda ’ centbi) Mas parece na verdade, que íe Chrifto queria enfi" naraos Príncipes a tomar coníelhos, que o havia de nedir ou aludas, ou aloaó: a Ioão porque era o mais entendido! & aludas, porque naquella mate.ia era ornais experimen’ tado, &os coníelhos a quem fe hão de pedir ícnam.onaos experimentados, ou aos entendido^ > Dioh on 7 j u que tinha mais experiência nefta-matèri!i °* q ,.° trazia a bolía, & a matéria eradeenn ' P °T C C ° m ° C " e reecequeaellcfedeviaaconfulta- undeememus* pa- a rezam, porque o nam fez Oinftõ *n > ° 31 oflaQitar.do confdho, nem aluda- nêa^fr’^ n ' m ^ dco one foi a S Phrlin^ ’ a 03 ’ ^ enam 3 Phelippe? O por- K â n :r;r- e vercm ° s ^ . & 0 ^ aludas, nem a Ioao vetemos agora. S«bem poique ? pnrq B iij loaó I ^ * da JjtuArefmâ, 1 vão era valido, & ludas era traydor, ác como Chrifto fc acon- íelnava,não porquenecefiitaíle de coníelho, íenão pera ènfí- . nac aos Príncipes do mundo,nam quiz fazer íeus conleiheiros, nem ao traydor, nem ao valido, pera que os príncipes nam admitaõem íeu> conleljios, nem aos validos, nem aos traydo- reSf porque de hüs, & outros íao acriícados os voto%& loípei» toías as reioluçoení: do valido, pocq como vota com a aíFei- çaõque tem ao Príncipe, aconlclharlheha o que eftà melhor pera o gofto,mas peor pera a conveniência/porque naõ hou¬ ve valido no muado que nam tratafte de falar muito á von¬ tade do &ey, J (Sc o traydor como vota com odio que tem ao Príncipe, tratará de o ueftcuircom o leu coníelho. Eftes fam priucipalmente os que os Príncipes nam haõ de adcnittir em íeusconídhos,quais ie)ão os que pera eiles haõ de cícolher, veremos logo no outro diícutíoj & como nos cõíelhos le pro ceder deda maneira, como nam houver confelheiros que vo¬ tem apaixo aados, como votar o entendimento fogeitando afll a vontade, & nam votar a vontade levando apos íi o entendi¬ mento, logo íeráo acertadas as ordens, logo íeraõ juftasasre- íoluçoens, logofe nam faraó injuftiças, que por iffo foi tyrani- ca a ccfoíuçam que íe tomou hontem em o coníelho, que os iudeos fizeraó contra Chrifto, porque votarão nelle ss vonta¬ des, & por ififo nam foi injufta a refoluçam q fe hoje torrou, íobceamorte de Lazaro porque votárão os entendimentos: CogitAvertint untem. S 7. Príncipes Sacerdotur »: pareciame a mi, & afíi era be que foffe, que peraefte coníelho que fe fazia fobre Lazaro, le ajuntaííem 03 maií fabios, & os mais entendidos de Icruíalê, porem nam foi aííi, os que fe ajuntaraõforão os mais podero* íos; Príncipes Sacerdotnm: mas ajuntàraõfe eftes,porque eft haveis de dar agora ? Vejãooquelhe refpondeo Chrifto: Sedebitis , & vos fuperfedes duodecimjudicantes duodecimtribus ifrael. Heivos dc fazer Iuizes dos doze tri- busdelfrael. Pera tecem os cargos baftoulheaos Apoftolos o merecerem muito, nam lhe fez mal o nam terem nada: Eccc nos reliquimus omnia. Nam ( c \ eu p e teriaõ elles tam bom def- pacho, íe meteraõ cftc memorial nas Cortes do mundo,adofl' de sò a maior grandeza he o merecimento maior. Princip<* Sacerdotum. O que grande motivo mc dava cfta matccia p e ' radileorrer largamente! mas pera irmos a outra nova, quero acabaceifodifíucío, comafoluçamdehumas palavras, q uC confit- Sermão do Salbado fextê *7 conforwaõmuitooque hi® os dizendo: Falava Chrifto hua hora com feusdiícipulos»ôcdific defta maneira; Pdternonju- Iwn. cap. dicat quemquam fed owne judidum dedit filio : Meu Eterno 9 * 1 *' padee a ninguém julga, poique oofricio de julgar, & de re- íolveras coutas a mim odeu 5 mas quere? aõ haverá pera ifto> porque julga mais o Eilho q o Pay> nam tem ambos o mef- mo entendimento, a vontade nam he em ambos a meíma? ltA c . Si he, mas íatn as formalidades mui diffç renteSj porque a for- malidade doPay he fer poderofo; a formalidade do Filho he & J ferfabio, & pera julgar, na politica bem ordenada, haõfe de efeolher os íabios, nam ie nao de deolher os poderoíosj juU guem, Sc votem os que fabem, nam Vçççrp n çm julguem os que podem: lftohc o que íe uza naquelía Republica cclef« teaquem as Monaichias domundoa viaô de ter por exem- piar em íuasacçoens, íftoheoquenos çqíinou Chriftopor tanta* vezes, mas nam íei fe foy no mundo efta doutrina bem recebida, porque a nam vejo muy praticada: Os grandes, © s poderolos faõos que tem os cargos, por ifloos Príncipes dos Sacerdotes eraõos confelheiros, porque eram os poderolos* Ccgttaverunt autem Prwcipes Sacerdotum. $ 8. U^rurninterficercnt^Oç^ fe tratou nefte cõ- felho foy o dar a morte a Laxaro: mas porque delitos > (bem me lembra que dei jahúa rezam, mastambem melembraq prometiomra,) potquedelitosqueriâo os Príncipes dc Icru- faU m tirar a Lazaro a vida? fe elle jazia dcfcancado no fe piilehro,& Chtifto compadecido das lagrimas das irmã o quis tõrnar a trazer ao mundo, que culpa era cm Lazaro, o vi. ver? nenhúa.- pois porq o intentaô matarl deu a rezaõ Mal- dc mveia , nam so mve |a vao a Chrifio, porque dera a vida vidide ChIiftÒT bem cnve i a ° a Laza® vporquerecebera a ( » çnv cja° mundo namsò aquemfat o. favor, enam am e aquém o recebe: Nam cftava mal fundada efta C rezam LuC.iXp. 7* l94tt.ll • Mxth. 16. l9xn.il ÍMI.2X. IM. 22 . Í04H- 21. $s da Jguarefm*, rtzam,fcnam padecera cfta inftaneia, Difficülto aflfj. Chrifto nam deu também a vida a aofilhoda viuva de Naim? Si deu, pois íe o mundo tem inveja a quem rectbe t> favor, porq não envejaraõ os Iudeosa eftd também refuícitado por Chrifto, & favorecido delie> Sòa Lazaro tem enveja, qual íetàofun. damcntoíEu odircij não envejaraõ tanto o favor que Chri¬ fto fes aofilhoda viuva de Naim, porque onam conheciam por favorecido deChrifto, & envejaraõ muito o favor q fez a Lazaro (.íendaambos, da mefma igualdade,^ porque o co- nheciáó por muito valido íco. Lazarus amicus nojler : Aquel- le favor era feito a hü eftranho, efte favor cra feito a hü vali¬ do, & nam fei que tem os favores que le faze aos validos q sé- pre foraõ mujrcn veja dos: Fez Chrifto a S. Pedro Príncipe da Igreja, & livrou a S-. Ioaó da morte violenta no apiniaõ dos mais Apofto los qup a fli entenderão clles, aquell tficeum volo manere. Nam reparam os difcipulos na qucllc favor concedi¬ do a Pedro, & reparaõ muyto ncfte favor feitoa Ioaõ: Exi\t fertno inter ftatres quia dijcipulus tile non moritur, Comrfça- raõ a falar, & a perguntar entre (i, porque não avia de morrer Ioaó. Nam quero chamar aifto propriamente enveja (como alguém ja lhe chamou ) íenam reparo, pofto que como os dif¬ cipulos nam eftavaõ ainda entam confirmados em graça,nam cra inconveniente algum darlhe efte nome, que também o Evangelhodisdelles,que tiveraõ entre íihüagrandeconten- da, íobrequaldellcs eramayor. FiUaefl aute contcntio inter eos quis eorumviâeretur ejje maior : indo a difhculdadc. Per¬ gunto afti: Nam era mayoro favor que Chrifto fez aS.Pedro daridoihe a primacia da Igreja, do que cra o que Í3zia a S.loaõ livrandoo da-morte violenta, dado que affi foflfe, & que afíi 0 quizeffe dizer Chrifto naqueile, /?e tum volo manere) nam h* duvida: Pois porque nam reparaõ os Apcftclos, porque^ 5 nam inquièta aquelle favor feito a Pedro na realióade, & tc* paraõ tanto naqueile que fez ao. Evangelifía sò uaríuaimagi' naçam? Querem ouvir com novidade porq? Porq o favor 4 Chrifto conc:dco a Pedro cra favor feito a hum Apoflolo, * o favot Serm&o [doSabbádo fexto 19 o favor que «onccdeo a loão eia favor feito a hü valido Tnf tipult** iltequem diltgebat Iefa, £ os favores dos validos fem- pre inquietarão, & íempre íecnvejaraõ muito, ainda que na realidade foffcm iguais, ou foliem menores, que os qo Prín¬ cipe fas aos outros; Bem íc vio cm os Iudeos pera com o fi¬ lho da viuva de Naim, dc pera cõ Lazaro , pois íendo iguais os favores,(q a ambos deu Chrifto a vida Jsô o de Lazaro foy envejado,porq sòLazaro era o valido. Lazarus ámicus nojicn Bem 1 e vioem os Apoftolos pera com Ioaõ, & pera com Pe¬ dro pois fendo mayor o favor qChtifto fez a S. ]oaõ, f fe afíi fo a como elles o imaginavaoj livrandoo da morte por vio¬ lência, do que foi o que fes a Pedro dandolhe da Igreja a pri¬ mada, sô no favor do Evangelifta repararaõ, porque entre to¬ dos os diícipuloso Evangdittâ era ornais valido, & omais amado. VifeipuUs illequem diltgebat Iefus. § 9 . De íorteque tèos diícipulos de Chrifto, com andarÇ ao lado repararão em o favor feito a S.Ioaô, nam reparando em o favor concedido a S. Pedro, porq S. Pedro era Apoftolo como os outros, & S. Ioaó era mais queos outros validos; Mas os Iudeos paffaraõ muito avante, pera com Lazaro, por- que nam sò repararaõ em Chrifto lhe dar a vida, mas também trataraõdelhedar a morte, porque lhe tinhaõenveja: Cogita* yerttnt autem Prwcipes Sâcerdotum nt , & Lazxrum interfi* cerent % irmdcbant enim nonfolummãmbenefici^ fed ettam eis quibeneficiumacceperAnt: Viofe Lazaro arrifcado loeo que íe vio favorecido; Hora eu quando pcffo, & quando a rezamopede, trato íempre de apontar o fundamento daío- luçam que dei a duvida que propus: Dice que os favores dos J$^S3SSS&36i (ao (empre enveiados, ( e lao muitas vezes iguais,ou fam me¬ nores, que aquellcs que faz aos outros & poderá íer q aqucl- les meímos queos envejaô? Seofavotque oPrincipc faz ao C ij feu Senec de brevit ult. up. 18. l94f1:lZ' zo dAjfyêdrefms. feu valido he Igual, dcpodjiá (erqtiewuytas vczci menor queaqutllequemc fas ami, porque lhe ei eude terenVcja! Areiam cu a darei, dc he eíta fe me nam engana* porque o fa¬ vor que o Príncipe mtfas a mi, femprecm fihe mais do que me parece, & o favor que fas ao valido, íemprc me parece mais do que he: Eu explico mais, façame o Príncipe hG fa¬ vor que na realidade feja tudo, amihamede parecer nada: Faça ao valido hum favor que na fubftancia feja nada a mi ha me de parecer tudo, entam por iíío o envejo: E ifto porque! (ainda nam fechamos o peníamento) porque fe diminuem tanto em os meus olhos os favores que me fazem a mi. E erecem tanto os que ao valido íe fazem ? o porque eu o direi: porque as couzas diminuemíe muito cm os olhos da affeiçaÕ, quando famem favor doque fe ama, dcavukam muito nos olhos do odio quando fam em favor do que íe a borrece, & como eu me amo muito a ml, ainda que o Príncipe no favor, & na merce que faz na realidade me dètudo , a mi haroe dc parece nada j & como os validos fe aborrecem muito no mundo, queaílio dicediferetamenteSeneca , ainda que o favor em fi íeja nada a mi ha me dc parecer tudo; Daqui naf- ce logo o ferem tamenvejados os favores dos validos. Que ascoufas avultem muito nos olhos do odio quaudo fam cm favor doque fe aborrece, moftrò agora ( porque fenam di¬ ga quç heefta rezam livremente dada) entaôdepoismoftrarei o como fe diminuem em os olhos daaflfeiçam, quando íam em favor doque fe ama; E peraomoftrar com evidencia, nam quero mais que duas palavras do meímo capttnlo de que a Igreja tirou efte Evangelho. Depois que Chrifto refu'cttoü a 1 azaro algúsludeos que fe acharão prcíentes acfta marí' vilha começaram a feguilo, ôc a confeflar publicamento queclleera O Meflias avia tantos feculos cípcrndo, & pOt tam repetidos oráculos prometido. Àfíi o diz S. IoaÓ. M*L ti ptopter tllum dbibint ex ífidais, & credebant inlejum , ven¬ do ifto os grandes delcrufalem romprraõncftas palavras no¬ táveis : Euetotm muadai pofi eurn abijt: Porque niomata- .Sermão do Sabbãào fexfo 2,1 ©os efte homê,que jàtodo mundo íc vai eras deile , r.otem que na® dicetão que todo mundo figuiria a Chrifto de futuro, lenam que ja o (eguia dc ptezente pojt eum abf/t y pera nos dar mayor a rezaõ dc duvidar. Pois íe atè então nam tinhaÕ íeguido a Chrifto mais que aquelles ludeos que tinhaõ aftiftt* do a reíurreiçam de Lazaro, ôe algüs que o viraõrcfuícitado, como dizem os gtandes de IcrufaUm que fcguia a Chrifto ja o mundo todo! Qua tc0 ^ C0S todo o mundo! Hora eu darei a rezam de quatro ludeos que feguiaõ a-Chrifto, pare¬ cerem o mundo todo a°s judeos, de he cfta. como os lu¬ deos aborreciio muito a Chriito, & o íeguircmno era hüa ac- çam em muy to favor de Chrino, aqudks poucos que o íc- guiaõemos olhos do odio dos ludeos avultavâo o mundo todo: Ecce totus mundus pott eum ãbijt . P ate cia cm os olhos de feu odio huma quantidade grande , aquellc numero limitado , & aqudie concurío bteve , porque avultam muito as couzas nos olhos do odio quando fam em favor do que íe aborrece, alTi eomo íe diminuem muito nos olhos da affeiçam quando íaõ em favor do qfe ama. FesDeos a Abram r aquellc favor tam fingular, qual foi o de fazer íe feu prote&or, Q,en ^' 1 ^ & tomar á fua conta o cuidado de feu remédio, & de fua con- fervaçaó: Ego protector tuus fum y & merces tua magna nimis. Com tudo lendo efle favor tam fingular, fendo efta metee tam grandiofa, nam (edeu Abram por fatisfeito com ella, & replicando dis aDeos defta maneira. Domine Deus quid dxbis mihi\ E bem Senhor, que prêmio me avds vos dc dar peilos ferviços qvos tenho feito! Notável pregunta por cer¬ to! Taõ pouco he tuia protecção de Deos,& hfi premio livra- do em feu meímoíer, que ainda acha Abraham que tem que pedr mais depois de Deos lho prometer tanto! Ainda pe- C 9 a™ a* L * e ] a i^ aiS Abraham depois de hum prêmio tam cpc ? ts chua fathfaçaÕ tãograndioía. Domine Deus n* 1 /n m a ^ let De°s q dar fora defiínenhua couía: Pois feDeosdandole a fia Abraham porp.oteâor lhe nam ficava mais que dar: porque lhe pede ainda Abraham mais a C iij Deos, 22 dAjÇuaréfma. . L»cos,depois de Deos ter dado tudo a Abraham>Porque€omo Abraham (e amava muito afi, diminuiaíe tanto em os olhos da affeiçam própria aquelle favor de Deos tam finguiar, que dandolbe, nelle tudo,parecialhe a Abraham que lhe nam da¬ va nada, que aífi como aos olhos do odio fe repreíenta tudo aquilio que he nada, aífi também aos olhos da affeiçam fe re¬ preíenta nada aquilio que he tudo, por iflb Abraham depois de Deos lhe dar tudo em a íua protecção como íe lhe nam de¬ ra nada por prcmio,lhe pediode novo favores. Domine Deus qttiddabis mihi\ Eftaheacondiçam dos olhos humaaos qué çrecem nelles, & íe diminuem as couías conforme os affe&os interiores, fe íe*aborrece,o nada parece tudo: íe íe ama, o tu- lut.cap. do parece nada: Luhrimis cApitrigare pedes ejus ; dice S.Lu- 7 . cas da Magdalena que com as lagrimas de íeus olhos começa¬ ra a lavar os pesa Chrifto. Namdiceca milhor que lhos lavara le na rèalidade aífi foy, íenam sò que começara a lavalos? Ca* pit. Hora ami me parece q falou o Evangclifta daquellas Jagri- mas nam conforme o que eraõ pera os pès de Chrifto, íenam conforme oqueparcciaó aos olhos da Madalena: pera os pès de Chrifto, verdade q eraódilúvios de lagrimas, aque o Evan- gdiftachamava princípios de chorar, mas para os olhosd.a 7 Magdalena, porq amava. Vilexit multum> parcciaõ sò prin¬ cípios de chorar,o que na realidade eraõ dilúvios de lagrimas: Cxptt rigare : diminuamíe muitos em os olhos de íua affeiçaÕ, todas aquelUs finezas offerecidas a Chrifto, porq íe diminuem muyto as mayorcs finezas em os olhos de hüa affeiçam. E íe aquella he a propriedade do odio, & efta a condição do amor, bem fc deixa ver a cauía porq os favores que os Príncipes fazfi aos outros fempre fam mais do que lhe parecem,& os favores que fazem aos validos fempre lhe parecem mais do q íaõ: E como parecem íempre maiores, por iffo íaõ ordinariamente envejados: por iffo também íofre o mundo tão mal o veros Validos com favores, que logo os enveja porque os aborrece» & trata deos matar, porq os enveia. Cogituverunt aute Prin* cipes SAccrdotíut , drCuz/tru tnterficerent , inyidebsnt eni*> Sermão 4o Sâbbado fexto *1 non folà ofi beneficijfed a ia g(s qui beneficium âcceperant. $.10. E íc Lazaro lendo favorecido de Chrifto fe vio com íeus favores arifcado, como podersõ aquclles aquêos Prínci¬ pes do mundo tem por validos eftar com feus favores*íeguros? Daqui veio a dizer o outro político diferetamente, que nem hum príncipe avia de fíngulatizar fua affeiçam, porque alem de fazer hú amor que ha de fer commú,p 0 g em mu j to g ran de riíco aquelle que ama com particularidade: £)uo qutíquepro - Guilltlm . pinquiorejlregiy eo propinqmor efi patíbulo: E os Príncipes ^ nam haõ de arrifcar, haõ de coníervar os vaffalos. Qualfoya caufa que Gaim teve pera matar a feu irmão Abel tam injufta- b ' mente? nenhua outra fenaoo por Deosos olhos em Abel,não * P ‘ pondò em Caim: Refpextt Deus , adcaim autemnonrefpe - 4 ’ E o mefmo foy ler Abel viftade Deos com algüa parti- cularidadf, q tratar logo Caim de lhe tirar a vida. Taógroí- /eiro, 5f tam envejoío he efte elemento em que vivemos, que sem aos valides de Deos pejdoa: E fc iftoafíi paífa em os va¬ lidos do Ceo, como poderaõ eftar íeguros, os validos da terra? & nam sò devem os Príncipes nam particularizar íeu amor, 5 c feus favores, pello que devem aos vafialios, íenaõ tambê pello que fc devem a fi. Ser Rey he ter officio: 5 c fe a quem te Car¬ go nam he licito conhecer nem ainda o parentefco,como po¬ derá conhecer valido? Muliereccefiliustuusy dicc là aquellc Imii.i* fupremo Rey Chrifto Iefu, a N.Senhora quando lhe quis en¬ tregar a S.Ioaó, molher ahitens oteu filho, nam lhe chamou mãy, fenam molher; 5 c porque lhe chamou defta maneira? porque Ihetinhão dado o titulo de Rey àquella hora; Iefus Mdth ig Nazarems Rex .Morum, o Rcynam ha de CQnh( . cer n ' m ^ • r íPttUÍ0; ««ai poderà logo conhecer val ‘ d ° h f 0b "8 a Ç a(n «ais principal de bfi Princi- fiS! ít U 'tfavo r çs eomicuns nam os particulari- fulo de R-cv r en , nUn ^ U l^ br '®° aceitar o ti- a aUTiJ & na C ^‘^[Çruwporqiw-no dezerto.fazia favores eufta ái (en fan ^ a locíos * Quantas Monarehiasfloreceraõ com tanta ventura,que íe prometerão fazer íoar o efttondo de fuas armas, & o ecco de fuas viüorias têdondeoSolcftende a grandeza de (eus tef. plandores, & dilatar íeu Império, dcfdonde nâee te donde morreodiaí quantas ouVedeflas nojnundo, que-depois vie> raõ a fer exemplo da mifetla, & o eftremo da defgraça, oc quantas fecleraõ ja por acabada?, que'fe leVantaraõfeltccs, & floreceraõ triumphantcs? Nam mc cánço em repetir exem¬ plos de que o mundo todo eftà chco, porque eílivera a prègáf eternamente. Pois, íe íaõ taó pouco permanentes, fe faõ co¬ mo ifio ta õ pouco firmes as venturas, & as deígraças huma' nas, nam he indifCriçaõ, nam be cegueira grande querer fum dar noffas efperatrças cm aquilloqhe mais : in«ónfíaiôte q uc 0 vento.vario, & mais mudável qhe amcfmattuidsnça? Quem opoderànegar? E aindaque Dcos nos-aíMâ, (qucheoq^ íe pode rcíponder; ainda que Dcos nosafíU4 co«-M tie bc uf ' ' Sermão de Stbífch fexte tf que fe pode reípondeiy ainda que Decs nos afliflâ com tantos ptodigios como cada nota vetnos, ainda que (e moftte tanto da noffa patte, ainda que favoreça a noffa caufa tanto, nem por iffo-deixetnos de temer, nc m por iffo deixemos de nos acautelar, nam nos faça defcuidados de noffa coníervaçam o ver a Deos tão cuidadora delia, porque lerà laftima grande, que achemos a noffa ruma nos meímos meios de noffo reme- dio: nam deixemos tudo a Deos, porq 0e ainda quc tem for. ças infinitas, & braços omnipotentes, regularmente falando, nam cofturoa obrar fetn as caufas íegundas, &( e hoje fes hum milagre pera libertarnos, ncm ponflo farà outro amenhã.pcra defendemos: Grandes prodígios fes Deos pera libertar aos filhos de Ifrael (também povom,mofo í eu ) do poder de Zt Pharaò, com tudo quando depois ouveraõ de morrer no de- /o, zerto, peta os livrar da morte nam fez prodígios* que nam he o mefmo libertarnos Deos prodigioíamente hoje, que coníer- varnos amenhã prodigiofamente: a liberdade que nos dá quec que corra por fua conta, mas a confervaçaõ que havemos rmf: ter, quer que corra pella íua , & pella noffa .* Vivamos pois muito vigilantes, vivamos muito unidos, que logo eftaremos feguros, porque a vigilância, & á uniaõ fam os dous Polos (obre que fefunda mais feguramente a felicidade dos Impe rios, & a confervaçaõ das monarehias; Ncnhüa coufa aruini os Reynos, fenaó o nam viverem acautelados, nenhüacouf* os deílrue, fenam nam viverem unidos : odefeuido he a fal enfermidade, & adefumao be a fua morte; hü Revno def cuidado,hchfiReynodefumdo, hehüReyno mono Co moa uniam, & a diviíaõ duás formalidádes ram nrt a dous acddcntes tam contrários, cSl * ° poftaS ’ * fe conferva, que Com O outra fe acah ? h e ° q a° m h0t " varfe unida à par te nue viví,? ba/ bcm P odcrà apattadootudo qU ef ecnn f, P âda ’ mas nlm P° d de Eftrellas edipfadas, porque apparecerá edipfado, nam fc vendo nos outros dias aíliitid j de Eftreltas luzidas, porque ap- paroceduzido. .Imittc pois apoimca tiumana efti política Ce- klUvquaabo o íeu Píiacipedeícatvçà, quando o íeü Principc íe diverte, & finalmcute quando buiea as occaíioens de alivio, ( que aíli he Rey, que também b-e homemd baila que os vaí- íalloseftejam unidos a eile,.& quelheaífiftam coin as vonta¬ des,cnas quando he neeeffario. íahir a Campanha* qóandò toe neceftario padecer oa gucrra.toe Cambemneceflario imirétofe, Si aífiíluremüie com as vontades,& com as peftoas nam eftam obrigados, a deícançar quando eile detcança, mas eftam obri¬ gadas,a padecer quando elle padece. Ia eu diffe que o Rey era aalma de toum ft»e.no,& que os vaíIaUos eram o corpo: Sup- poftóiftoquem nam íabe,-qàe bem pode gozàr-alivios á al¬ ma, fem qae delies participe o corpo, mas que nam pòde dei¬ xar de padecer penas o corpo hüa vez que as padece a àlma?Se a(froftz:rem íempre os Portuguezescomo fazem, & eu con¬ fio qdcham dê fâ2er íempre: le andarem muito vigilantes em fuas obrigações, & viverem muito unidos aó feu Reynocõ* as vontades, & com as peftbascotn as vontades na pa^, cora aspeflbas,<$c com as vontades na guerra, alcançaram grandes venturas,& o lUyno fecortferVata por muitos feculos* feiices nodcíempenhode noiTas efperartças, fellCesnos fuceellos de noflasacmas, nareftauráçam de noftas conquiftasjôc na con- fervaçam ds noía felicidade, que aííi o eftam prometendo as Prophecias,afa o eftam confirmando, eftes venturofos princi¬ pias, & ftnalmentefeliées na réformaçam dos còftumes, no au menro da fé Gàtholiéa,no zelo do nome Chtiflám pot meio da Graça, que hecetto penhor da Gloria. Adqüi ím noépcYÀtt 0 çatDortinifs omnipotens , p*ter , Filitís , & Spiritfas SunBM Amcnf ■■ •; ■ •••' • "'“r ; • 'h ■■ . FINIS LAVS DEO